Equilíbrio: Desfazendo as Ataduras da Opressão

Palestrante: Helen Gama

Instagram: https://www.instagram.com/helengama.neuropsi/


Baseado em Isaías 58


A Palavra de Deus se aplica a todas as pessoas, embora de maneira única à condição de cada um.


Peço desculpas antecipadamente porque estou enfrentando alguns desafios físicos hoje - fiz uma cirurgia, estou gripada, com sinusite e uma alergia ocular tremenda. Quando chegamos a certa idade, parece que tudo vai degringolando, mas glória a Deus por isso! Nossa oração quando viemos para cá foi: "Graças te dou, Senhor, por essas condições físicas e dores, pois mostram que estou viva. E se estou viva, ainda há tempo para mim, ainda há tempo para sairmos dessa condição de aparência para uma realidade."


Objetivo da Mensagem


O tema que me foi designado é "equilíbrio", e o título completo seria: "Equilíbrio: Desfazendo as Ataduras da Opressão". Nosso texto base será Isaías 58.


O objetivo deste compartilhar é promover luz à luz das Escrituras, para que possamos ter uma profunda reflexão sobre a necessidade de romper com as amarras emocionais, espirituais, relacionais e comportamentais que nos adoecem, desequilibram nossa vida e acabam por adoecer também nossas relações, contrariando a plena manifestação da vontade de Deus.

Espero que ao final possamos compreender que o verdadeiro equilíbrio físico, psicológico e espiritual é fruto de um realinhamento dos nossos afetos, vontades, pensamentos e comportamentos com as práticas e princípios do Reino dos Céus. Não há equilíbrio se não estivermos alinhados com a Palavra.


A Realidade do Desequilíbrio


Às vezes alguém me pergunta: "Então tem que ser perfeita para ser equilibrada?" Parabéns, você chegou à conclusão: não existe ninguém plenamente equilibrado. Você e eu somos totalmente desequilibradas, despreparadas, desreguladas, incompletas e imperfeitas. Talvez seja essa a razão de você se cobrar e se frustrar tanto. Você nunca vai ser perfeita - só há um Cristo.


Quando perdemos a centralidade desse Cristo e a razão pela qual Ele precisa ter proeminência em nossas vidas, começamos a apresentar quadros até mesmo patológicos. À medida que reconheço que sou desequilibrada e descompensada, mais quero alguém que seja equilibrado, que tenha plenitude, alguém que, diferente de mim, é belo e profundo. Então deixo de investir em mim para contemplar a Ele - aí começa nossa verdadeira carreira cristã. Meus olhos não estão mais sobre mim mesma, não estou mais "em-si-mesmada", e quem passa a ter o foco da minha vida é Ele, porque dele, por Ele e para Ele são todas as coisas.


Nossos Objetivos


Nosso objetivo é despertar uma consciência para:

  1. O exercício de um cristianismo autêntico, coerente entre fé e prática, porque estamos cheios de obras mortas e às vezes de fé sem obras.
  2. A necessidade de substituir os fardos que impomos a nós mesmas - padrões de excelência, de vida, de controle, de planejamento - e os padrões que os sistemas mundanos nos impõem, pelo jugo suave e o fardo leve de Cristo (Mateus 11:28-30).
  3. O desenvolvimento de uma espiritualidade saudável marcada por misericórdia, compaixão, retidão, perdão e amor - elementos inegociáveis e indispensáveis para a construção de um equilíbrio interior, para relações saudáveis e uma carreira cristã saudável.


O Verdadeiro Equilíbrio


Equilíbrio sob a ótica do Reino dos Céus não é ausência de adversidades, tampouco é um estado psicológico de bem-estar e qualidade de vida meramente terreno. O equilíbrio que procede de Deus consiste no perfeito alinhamento do coração humano com os atributos imutáveis do Altíssimo: Sua santidade, Sua justiça, Sua misericórdia e o Seu amor.


O Diagnóstico Espiritual em Isaías 58


Em Isaías 58, o profeta, movido pelo Espírito do Senhor, denuncia uma espiritualidade desequilibrada, marcada por ritos externos destituídos de transformação interna. O povo jejuava, orava e buscava a Deus, mas mantinha práticas que contrariavam a santidade, a justiça, a misericórdia e o amor de Deus - pilares inegociáveis do Reino dos Céus.


O texto denuncia que, mesmo em atos devocionais, aqueles crentes estavam:

  • Oprimindo seus semelhantes
  • Mantendo outras pessoas cativas em seus pensamentos e corações
  • Explorando, julgando, criticando, rotulando e marginalizando todos que não se conformavam aos seus padrões
  • Nutrindo contendas, rixas e hábitos pecaminosos ocultos


Este diagnóstico espiritual não se aplica apenas ao povo daquela época, mas a todos nós, em algum nível. A diferença está na consciência - se você é um crente inconsequente, sem consciência de que amordaça, aprisiona, marginaliza e oprime, não há sobriedade no seu culto.


Aplicações Práticas


Nas Relações Conjugais


Quando uma mulher não está interiormente alinhada com o Senhor e não tem verdadeira identidade de filha de Deus, ela projeta no marido expectativas irreais e demandas impossíveis de suprir. Se você espera que um casamento ou um homem a faça feliz, você já está, antes mesmo de conhecer seu marido, oprimindo-o e pecando diante do Senhor.


Ninguém tem para dar aquilo que só Jesus pode dar. Além de pressionar e fazer mal ao cônjuge, transformamos nosso marido em ídolo e fonte de satisfação, entristecendo o coração do Senhor.


Na Relação com os Filhos


Com os filhos é ainda pior. A frase típica dos pais é: "Vou fazer pelo meu filho tudo que não fizeram por mim" - e esse é o caminho mais rápido para fazer por eles pior do que fizeram com você.


Nossos filhos são filhos de Deus, são nossa herança do Senhor - não nossa, mas dEle. Ele nos comissionou para caminharmos com eles; são nosso ministério. No dia do juízo, Ele perguntará: "Cadê minha herança?"


De que adianta levar os filhos para a igreja se eles olham para nós e veem hipocrisia? Se os tratamos como subalternos ou como objetos de satisfação dos nossos desejos? Se descarregamos neles nossas raivas? Nossos filhos precisam ver em nós a cruz de Cristo, ver que somos pecadores que alcançamos graça, que tropeçamos e levantamos, que pedimos perdão quando erramos.


O Chamado ao Verdadeiro Jejum

O chamado do Senhor em Isaías 58 é para um jejum que conduz ao equilíbrio. O Senhor revela o que devemos fazer:

  1. Desfazer os sistemas opressores - sejam estruturais, relacionais ou psíquicos
  2. Pôr em liberdade os oprimidos - aqueles que estamos acorrentando em nossos julgamentos
  3. Despedaçar todo jugo - toda forma de cobrança, expectativa e exigência que não seja expressão do amor


Depois, devemos:

  • Partilhar o alimento com o faminto - inclusive o alimento emocional e espiritual
  • Abrigar o pobre desamparado - aquele que está desorientado e vulnerável
  • Vestir o nu - não apenas com roupas, mas com honra, cuidado e palavras que restaurem a dignidade
  • Remover o jugo opressor dos gestos e falas - cessar a acusação, o sarcasmo, a ironia e a maledicência
  • Renunciar aos próprios desejos para beneficiar os aflitos
  • Vigiar os próprios pés para não profanar o sábado - não violar os espaços de descanso e confiança no Senhor
  • Abandonar os próprios caminhos, projetos e ambições autocentradas
  • Cessar as palavras vãs e irreflexivas - que não edificam e não são fruto da comunhão com Deus


As Bênçãos do Equilíbrio Restaurado


Quando rompemos com as amarras da malignidade e da injustiça, quando libertamos aqueles a quem oprimimos, o Senhor promete:

  1. "Tua luz resplandecerá como alvorada" (v.8) e "tua luz despontará nas trevas" (v.10) - clareza, lucidez e discernimento espiritual
  2. "Prontamente surgirá a tua cura" (v.8) - cura física, psicológica, espiritual e relacional
  3. "Tua retidão caminhará diante de ti" (v.8) - proteção, favor, direcionamento e alinhamento com a justiça divina
  4. "A glória de Yahweh guardará a tua retaguarda" (v.8) - segurança sobrenatural e livramento pleno
  5. "Clamarás a Yahweh e ele te atenderá" (v.9) - resposta imediata, relacionamento íntimo e acesso irrestrito ao trono da graça
  6. "Yahweh será o teu guia continuamente" (v.11) - direção constante, estabilidade e convicção nessa jornada
  7. "Yahweh te assegurará a fartura mesmo em terra árida" (v.11) - provisão sobrenatural em tempos de escassez
  8. "Serás como um jardim regado, como fonte borbulhante cujas águas nunca se esgotam" (v.11) - vida frutífera, abundante e cheia de significado
  9. "Serás chamado reparador de muros, restaurador de caminhos e moradias" (v.12) - legado de restauração
  10. "Encontrarás no Senhor a tua grande alegria" (v.14) - alegria verdadeira e duradoura
  11. "Cavalgarás nos altos da terra" (v.14) - posicionamento elevado, honra, autoridade espiritual e domínio sobre as circunstâncias
  12. "Te banquetearás com a herança de Jacó" (v.14) - plenitude da herança das promessas e bênçãos espirituais eternas


Conclusão


É tempo de colocarmos em liberdade os cativos que aprisionamos em nossos pensamentos, desfazer os jugos da exigência, da crítica, da comparação, do controle e da rigidez. Cessar com toda língua acusadora, gesto condenatório e fala que não comunica vida, e abraçar a leveza do jugo de Cristo para que possamos viver livres, amar, ser amados, servir e resplandecer a glória de Deus.


Equilíbrio não é ausência de lutas, mas alinhamento com os princípios do Reino dos Céus. Deus não quer que apenas carreguemos o título de cristãs - Ele quer que carreguemos a essência de Cristo onde quer que vamos.


Que esta palavra nos desconstrua, para que possamos fazer valer em nossas vidas a Palavra de Deus. Quero fazer valer a Tua Palavra em mim, para que o doente tenha onde se curar, para que o mundo saiba que Tu és Senhor.



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